O primeiro ministério é nosso lar

Por Juçara Araújo, jornalista

O nosso primeiro ministério, o nosso maior chamado, a nossa prioridade sempre será o nosso lar. A família foi instituída por Deus para que fosse cuidada, direcionada na luz do Salvador. De quê adianta ser um sacerdote importante, ter um elevado cargo na sociedade, ser líder de nações se a sua casa estiver destruída e sem o direcionamento divino. A família é a base da sociedade, ela precisa estar equilibrada para refletir equilíbrio. Cada membro de uma família é importante e precisa receber os cuidados necessários, caso contrário os resultados podem ser desastrosos.

Nas Escrituras Sagradas podemos citar três grandes exemplos de homens que falharam nos seus lares e os resultados foram ruins. O primeiro, o sacerdote Eli, homem que o Senhor levantou para oferecer sobre o Seu altar, porém não corrigiu os pecados dos seus próprios filhos como deveria e sentiu o pesar da mão de Deus sobre a sua casa (1 Samuel 2:28-34). Seus dois filhos morreram no mesmo dia e o próprio Eli quando soube da notícia, caiu e quebrou o pescoço, também indo a óbito (1 Samuel 4:12-18). Um fim desastroso para uma família sacerdotal.

O segundo exemplo, é o rei Davi, homem mais poderoso da nação e suas atitudes agradavam a Deus. Mas apesar de ser um grande rei, não conseguiu dedicar os cuidados necessários à sua própria família. A começar ele teve pelo menos oito esposas, um modelo de família que não foi criado pelo Senhor. Lá em Gênesis Deus disse: “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher” (Gênesis 2:24), ou seja, a uma única mulher. Em uma família com oito mulheres dá para se imaginar o clima de disputa entre elas (disputa por atenção, poder, amor, privilégios) e o sentimento de discórdia que tudo isso pode ter gerado entre os filhos do rei. Nesse caso, talvez todos (incluindo mulheres e filhos) precisavam de cuidados e direcionamento. Mas como poderia um só homem, com tantas obrigações políticas, conseguir cuidar sozinho de oito mulheres e seus filhos? Não conseguiu e o resultado foi desastroso. Aconteceu que dois de seus filhos (Salomão e Adonias) disputaram a sucessão do rei e essa disputa resultou na morte de Adonias (1 Reis 1-2). Antes disso, também teve outra situação desastrosa entre os filhos de Davi. A falta de temor a Deus fez com que o filho (Amnon) se deitasse forçadamente com sua meia irmã (Tamar) e depois a despedisse, envergonhando-a e trazendo ira ao irmão (Absalão). A consequência disso é que como forma de vingança Absalão matou Amnon (2 Samuel 13).

O terceiro exemplo é do patriarca Jacó, ou melhor dizendo, Israel, o pai das 12 tribos. Líder de uma grande nação que se formava, o povo escolhido de Deus. Ele permitiu o desequilíbrio emocional em sua família, amando mais a uns do que a outros. Resultado? Desgraça na sua própria casa. O sentimento de amor maior e a predileção ao filho José gerou ciúmes e ódio entre os demais, levando-os a venderem seu próprio irmão como escravo, trazendo dor e sofrimento ao seio familiar (Gênesis 37.28).

Os exemplos relatados nos ensinam que os pecados dos nossos filhos contra o Senhor devem ser corrigidos de forma firme, pois isso agrada a Deus. Também aprendemos que uma família formada nos moldes do Senhor se torna mais equilibrada emocionalmente e mais favorável aos ensinamentos e a prática cristã. Outro aprendizado é que a predileção entre os filhos ou membros de uma família causam feridas profundas e sentimentos perigosos podendo resultar em grande destruição. O primeiro sacerdócio e liderança de um homem é no seu próprio lar. É seu dever conduzir cada membro da família nos caminhos do Senhor, amando-os, proporcionando equilíbrio emocional e temor a Deus. Famílias saudáveis favorecem a uma sociedade mais equilibrada, pois refletimos “lá fora” o que vivemos no lar.

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