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Por Cínthia Santos, professora da sala de pré-adolescentes da Escola Bíblica Dominical
Jerusalém é mencionada repetidamente na Bíblia e carrega um significado profundo: no passado, foi essencial para o povo de Israel; no presente, continua simbólica; e no futuro, mantém sua relevância para nós, os que creem. Inicialmente, essa cidade é citada em Gêneses 14.18, como Salém, nome este que significa “paz” e na época, tinha como rei Melquisedeque, a quem a Bíblia descreve como sacerdote do Deus Altíssimo. Essa cidade, no período em que os israelitas cruzaram o Jordão para entrarem na terra prometida, chamava-se “banda dos jebuseus” ou “Jebus”. Ela estava localizada na terra de Canaã, mas não foi capturada durante a conquista e permaneceu em mãos dos cananeus até o tempo em que Davi chegou ao trono de Israel, conquistando Jerusalém e fazendo dela a sua capital (2Sm 5.5-7).
A cidade se torna um marco fundamental na história de Israel a partir de então, recebendo títulos como Sião, Cidade de Davi, Cidade Santa, Cidade da Justiça e Cidade do Senhor. Ela se estabelece como um símbolo que reflete tudo o que Deus desejava para o seu povo. Foi a capital política e também o centro religioso de adoração a Deus: quando a arca da aliança é levada para lá (2 Sm 6), bem como quando é edificado o templo através de Salomão, sucessor de Davi (1 Rs 5-8). O templo possuía um forte simbolismo da presença do Senhor e quando a cidade e o templo são destruídos, em 586 a.C. por Nabucodonosor, rei da Babilônia, devido os pecados cometidos pelo povo, é como se Deus pessoalmente estivesse se retirando do meio deles. Apesar disso, em 536 a.C., quando os judeus retornam da Pérsia, é feita a reconstrução de Jerusalém e a reedificação do templo.
Na época do Novo Testamento, a cidade de Jerusalém volta a ser cenário da vida política e religiosa para os judeus, sendo palco do nascimento do cristianismo, da crucificação e ressurreição de Jesus. Também foi lá que os discípulos deveriam ficar para o recebimento do Espírito Santo, conforme em Lc 24.49: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” E de lá que a mensagem do Evangelho começa e se espalha até os confins da terra: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”. (At 1.8)
Tal como Jerusalém tem a sua importância e impacto na história dos israelitas, temos ela como uma sombra daquilo que há de vir, a nova Jerusalém, a cidade celestial, uma cidade onde Deus habita e Cristo reina à sua destra. Depois do julgamento do trono branco (Ap 20.11-15), a Jerusalém celestial descerá à nova terra como a sede do reino eterno de Deus (Ap 21.2). Ali o próprio Senhor habitará entre os homens, como é descrito em Ap 21.3: “[…] Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus”.
Assim, em Apocalipse é descrito o que João vê da Cidade Santa. Ele diz que ela resplandecia com a glória de Deus, que seu brilho era como o de uma jóia muito preciosa e segue na tentativa de descrever o indizível: seus muros, suas portas e seus fundamentos. Concernente ao detalhamento do muro, havia doze portas, nas quais estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel e nos alicerces, os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Ap 21.12-14), mostrando a história conectada pelas eras, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Já com relação aos fundamentos dos muros da cidade, estes eram ornamentados com toda sorte de pedras preciosas e a listagem que é descrita é semelhante às pedras que foram utilizadas no peitoral da roupa sacerdotal (Ex 28.15-21), mostrando que o que antes era apenas para o sacerdote, será para toda a cidade.
Portanto, a nossa esperança é na pátria celestial, na Nova Jerusalém com a presença eterna do nosso Deus, em um local de paz, sem choro, morte, tristeza, dor ou mesmo algo impuro, vergonhoso ou pecado. Está sendo preparada para nós, se trata de uma promessa do nosso Senhor (Jo 14.2), de modo que devemos a cada dia estar vigilantes para a vinda de Cristo, que em breve voltará: “Eis que venho em breve! Feliz é aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.” (Ap 22.7).
Referências Bibliográficas
BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Tradução de João Ferreira de Almeida. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
