Por Ev. Sidney Mesquita – Coordenador do Núcleo Teológico do Instituto Bíblico das Assembleias de Deus (IBAD) na Igreja Água Viva e professor do discipulado na Escola Bíblica Dominical
Introdução
As Assembleias de Deus no Brasil representam a maior denominação evangélica do país, com uma teologia profundamente enraizada no pentecostalismo clássico. Fundada em 1911 pelos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, a igreja cresceu exponencialmente e influenciou a espiritualidade e a doutrina de milhões de fiéis. A teologia praticada dentro das Assembleias de Deus combina elementos do protestantismo histórico com a ênfase no batismo no Espírito Santo, na contemporaneidade dos dons espirituais e na autoridade suprema das Escrituras (SILVA, 2012).
- As Bases Teológicas das Assembleias de Deus
A teologia das Assembleias de Deus no Brasil é fortemente fundamentada em cinco pilares essenciais:
1.1. Autoridade das Escrituras
A Bíblia Sagrada é considerada a única regra de fé e prática (2Tm 3:16-17). Os crentes são incentivados a estudar e aplicar os ensinamentos bíblicos em sua vida cotidiana. A denominação rejeita qualquer tradição ou revelação que contradiga as Escrituras (DECLARAÇÃO DE FÉ, CGADB, 2017).
1.2. Soteriologia – A Doutrina da Salvação
As Assembleias de Deus ensinam que a salvação é pela graça mediante a fé em Jesus Cristo (Ef 2:8-9). A conversão envolve arrependimento, regeneração e santificação progressiva, sendo a justificação um ato imediato da graça de Deus (HORTON, 1996).
1.3. Batismo no Espírito Santo
Diferente de denominações históricas protestantes, as Assembleias de Deus defendem que o batismo no Espírito Santo é uma experiência subsequente à conversão, evidenciada pelo falar em línguas (At 2:4) (MENZIES, 2010).
1.4. Dons Espirituais e Atuação do Espírito Santo
A denominação crê na contemporaneidade dos dons espirituais, como cura divina, profecia e interpretação de línguas (1Co 12:4-11) (ARRINGTON, 1995). O Espírito Santo é visto como ativo na vida da Igreja e dos crentes.
1.5. A Doutrina da Santidade
A santificação é considerada essencial na caminhada cristã. Os membros são incentivados a viver uma vida de obediência, evitando práticas mundanas e buscando um relacionamento profundo com Deus (1Pe 1:15-16) (GILBERTO, 2004).
- Influências e Desenvolvimento Teológico
A teologia das Assembleias de Deus foi influenciada pelo pentecostalismo norte[1]americano, especialmente pelo Movimento de Santidade e pelo avivamento na Rua Azusa (1906) (BURGER, 1998). Entretanto, ao longo dos anos, a denominação brasileira desenvolveu características próprias, como um forte apego à evangelização e um conservadorismo moral em muitas de suas vertentes.
2.1. Influência do Protestantismo Tradicional
Apesar de pentecostal, a teologia assembleiana mantém traços do calvinismo e do arminianismo, adotando uma visão arminiana da salvação, onde a graça pode ser resistida e o crente deve perseverar na fé para garantir a salvação (THOMAS, 2018).
2.2. Ênfase na Escatologia Pentecostal
As Assembleias de Deus adotam uma visão escatológica pré-milenista e dispensacionalista, crendo no arrebatamento da Igreja antes da Grande Tribulação e no reinado literal de Cristo sobre a Terra por mil anos (Ap 20:4-6) (HORTON, 1996).
- Teologia Prática e Educação Teológica
A formação teológica nas Assembleias de Deus no Brasil tem sido promovida por diversas iniciativas ao longo das décadas, sendo o Instituto Bíblico das Assembleias de Deus (IBAD) um dos principais centros de ensino teológico da denominação.
3.1. O IBAD – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus
Fundado em 1958, o IBAD, localizado em Pindamonhangaba (SP), tem desempenhado um papel central na formação de pastores, evangelistas e líderes da igreja (GILBERTO, 2004). Com um currículo baseado na teologia pentecostal clássica, o IBAD oferece cursos voltados para a preparação ministerial, enfatizando a interpretação bíblica, a evangelização e a prática pastoral.
Além do ensino teológico formal, a denominação valoriza a Escola Bíblica Dominical, que desempenha um papel fundamental na instrução bíblica dos membros, desde crianças até adultos.
A teologia assembleiana é fortemente prática e evangelística. O movimento missionário é uma grande ênfase da denominação, resultando na expansão da igreja para várias partes do mundo.
Conclusão
A teologia das Assembleias de Deus no Brasil é uma mistura de ortodoxia bíblica, ênfase na experiência pentecostal e um compromisso com a evangelização e a santificação. Ao longo do tempo, a denominação tem enfrentado desafios teológicos, como a influência do neopentecostalismo e debates sobre a rigidez doutrinária, mas mantém suas bases na autoridade das Escrituras e na ação do Espírito Santo.
Dessa forma, as Assembleias de Deus continuam a desempenhar um papel significativo no cenário evangélico brasileiro, influenciando milhões de vidas por meio de sua teologia vibrante e de seu compromisso com a fé cristã.
A formação teológica é essencial para aqueles que desejam ser instrumentos poderosos nas mãos de Deus. Investir em sua capacitação é investir no Reino de Deus e na edificação da igreja.
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Referências Bibliográficas
– ARRINGTON, F. L. Introdução à Teologia Pentecostal. CPAD, 1995.
– BURGER, I. O Movimento Pentecostal. CPAD, 1998.
– DECLARAÇÃO DE FÉ DA CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil,
– GILBERTO, A. Manual da Escola Dominical. CPAD, 2004.
– HORTON, S. M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD, 1996.
– MENZIES, R. P. Empoderados pelo Espírito. CPAD, 2010.
– SILVA, J. A. História do Movimento Pentecostal no Brasil. CPAD, 2012.
– THOMAS, J. Arminianismo e Pentecostalismo. Vida, 2018.
